Observação: O texto abaixo é de autoria do professor Cristiano Mignanelli.
É minha primeira postagem neste blog, sendo assim, vou pegar leve nesta que pode ser apelidada de “aurora” e que, por isso mesmo, precisa ser suavizada. J
Antes de qualquer coisa e, exclusivamente, sobre tudo quero falar sobre o Descaso.
Este substantivo que significa: desdém, desprezo, impolidez, inadvertência, desatenção, irreflexão e etc. Tantos são os sinônimos que podemos empregar neste termo, tantos mais são as ocorrências (fatos) que ele se aplica. O Descaso reina, é regente absoluto nestes anos de “individualismo canibal”.
O reinado do Descaso tem uma hierarquia por grau de intensidade que começa a partir dos governantes dos Estados até chegar a coisa mais intima que temos, a vida.
Aqui no Brasil se tem os maiores salários para políticos no mundo, não é o maior, mas um dos, e mesmo assim nota-se, sem muito esforço, o quanto de Descaso é gerado neste meio. Nossos, bem pagos, políticos estão fedendo para a população, o Descaso se faz tão presente neles, que até nos perguntamos se o Descaso provem destes malditos políticos. Mas não podemos em absoluto culpa-los, o Descaso que de lá vem é fruto a partir do Descaso que a população teve por não dar importância alguma para a política, assim sendo, para os pretendentes a cargos públicos.
Vê-se que o Descaso que se tem na política é filho do Descaso da população, é claro que um não gera o outro necessariamente, mas contribui e, além disso, serve para calar a boca dos mais acalorados que criticam a política atual sendo que nas últimas eleições desligavam os rádios ou os televisores para não assistir o horário político e nem mesmo tiveram a curiosidade de saber sobre os projetos dos candidatos e suas condutas, estes fodem com a política.
É verdade que não existe um humano que não tenha Descaso por algo ou por alguém, é natural sucumbir aos seus encantos perversos, por certo que juntamente ao uso natural que se faz dele predomine, sobretudo, o discernimento.
Até mesmo o próprio Descaso sofre com seus efeitos, pois não deixa de ser um Descaso não refletir sobre o uso que fazemos do Descaso.
Há o Descaso de Pais, de filhos, Descaso no país, ambiental, social, sexual, no marginal, de casal... Descaso não está no acaso, tem causa e fundamento.
O Descaso reina na educação, por via dos professores e estudantes. Os professores desprezam o aperfeiçoamento, por outro lado, os estudantes desprezam os conteúdos da escola, é um Descaso Geral! Um Descaso leva ao outro, pois os estudantes desprezando os conteúdos e, assim, desprezando as aulas, os professores não se preocupam em aperfeiçoar os conteúdos por estes serem desprezados em aula, e, portanto, gerando o Descaso dos professores com a causa da emancipação intelectual e social dos estudantes. Mas o Descaso dos Estudantes com os estudos deve ter sido gerado pelo Descaso do Estado para com a educação, habitação, trabalho, saúde, segurança e dignidade para a população, que, por sua vez, gera o Descaso dos pais para com a administração e análise da vida estudantil dos filhos.
As empresas multinacionais e afins não deixam de ser influenciadas pelo Descaso. Elas estão mais interessadas em adquirir lucros do que proporcionar benefícios para a vida dos trabalhadores e do meio-ambiente... Estas ignoram as necessidades alheias e isso para tornar o Descaso absoluto, ainda mais este que implica, justamente, na vida do outros.
Amizades e amores não escapam deste reinado.
O Descaso dentro das amizades esta implícito, os amigos, por mais que se esforcem, deixam os fundamentos de uma amizade escorregar por entre os dedos. Firmando uma confusão entre se saber quem é amigo e gerando um Descaso com o significado de amizade.
Assim como é o Descaso na amizade o é, também, no amor. São poucos os que se colocam a pensar ou falar sobre, o conceito de amor é vulgaridade, é a mais perfeita evidência do Descaso para com ele.
Temos, no geral, o Descaso com o outro. Pouco nos importamos com os outros. Temos o Descaso a respeito da dor dos outros; “Antes eles do que eu” já dizia a muito.
Descaso com a vida dos animais: matamos e comemos. Descaso com o meio-ambiente, se não vemos acontecer não nos importamos (se é que vendo alguém se importa).
Por último, e não menos importante, o Descaso com a própria vida, pois não refletimos sobre nos vícios e são eles que, de certa forma, nos cria hábitos errôneos e prejudiciais. Quem não reflete sobre sua própria existência, se torna alheio de si mesmo, e servo da vida dos outros, aumentando cada vez mais o Descaso com sua própria vida e se projetando na sorte de outrem. Este faz, porque querem que ele faça, este come o que os outros come, este lê o que os outros lêem, este compra o que os outros compram, este assisti o que os outros assistem, este é o que os outros querem que ele seja; ele não é ele, não conhece nem o Descaso que tem de si. É a própria negação da vida em prol da vida dos outros. Descaso maior não existe!
Por Cristiano Mignanelli